samaPara além do deliberado favorecimento que Samakuva beneficiou dos Comités Provinciais do Partido, onde se destacou o do jovem Liberty Chiaka, de acordo com a nossa fonte, que disse ter existido cerca de dez ou mais reuniões entre este e outros Secretários Provinciais e Samakuva, semanas antes das eleições, violando o princípio estatutário do Artigo 23°.

A primeira proposta foi apresentada pelo general Numa nos seguintes termos: “Mais velho, o Partido tem que dar um exemplo de alternância, se eu vencer as eleições do Partido, mudarei os Estatutos para que o candidato à presidência seja o mais velho (referindo-se à Samakuva) ”. Essa proposta recebeu de imediato uma resposta negativa e teve apoiantes como a constitucionalista Mihaella Webba, curiosamente, a mesma que defendia que em democracia não se podem registar vitórias acima dos 70% dos votos, pois, tal prefiguraria indícios de fraude.

O segundo convite terá sido apresentado pela chamada sociedade civil hostil ao Executivo em Abril do corrente. Numa carta entregue directamente ao líder da UNITA em vésperas do “Dia da Paz e Reconciliação Nacional”, assinada também por integrantes dos autodenominados “revús”, onde se destacou a assinatura do jovem “Nito Alves”, professores universitários, activistas e alguns jornalistas dos jornais privados.

O acesso à essa petição para além de nos ter sido vetada, também encerrou um mistério: quem liderou essa iniciativa em nome de uma denominada “sociedade civil”? O ideal estratégico da segunda petição não foge muito da primeira. Conta-se que Samakuva poderia merecer o apoio à presidência em 2017, se desse este passo. Alega-se, por outro lado, que as desconfianças de Samakuva tiveram como base suas antigas divergências com os jovens revús, dentre eles Luaty Beirão, Carbono Casimiro e outros, em tempos a UNITA chegou a expulsar da Rádio Despertar os activistas e começou uma relação musculada entre as duas partes.

“Samakuva poderia concorrer vinte vezes e ainda assim venceria” – disse o jornalista Cremildo Fonseca que acompanhou o acto eleitoral. É um facto que a instabilidade ideológica parece ter começado, pois, Mihaela Webba, quando abordada não conseguiu falar sobre a “fraude” na UNITA devido aos exagerados 80% de votos de Samakuva que de forma consequente já deixa de ser uma opção para muitos jovens devido à sua demonstrada apetência e desapego ao poder. Nessa panóplia de incertezas vem juntar-se o seu antigo Assessor, o conhecido activista e jornalista Makuta Nkondo que acabou por chamar seu antigo líder de “corrupto e igual ao MPLA”, bem como o sociólogo João Paulo Ganga que afirmou que a “UNITA perdeu a oportunidade de mostrar que é diferente e até 2017 vai ser difícil convencer o povo do contrário”.

Os apoiantes de Lukamba Gato num dado momento da campanha, chamavam Samakuva de “ditador da oposição”. Portanto, se existia alguma simpatia do público pelo líder da UNITA, hoje a incerteza atingiu até mesmo os militantes do Partido.

Como fica a imagem de Samakuva ao ter rejeitado em duas ocasiões, petições que lhe beneficiariam e catapultariam o Partido para uma nova fase?

Fonte: Ditosdobaú/Redeonline

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