Por: Luís Paixão Martins(*)

Fonte: Briefing

À esquerda: Rafael Marques                                 À direita: Luís P. Martins

O texto, cuja leitura pode ser recuperada aqui, levou Rafael Marques a abrir uma conta no Twitter para me chamar mentiroso e a patrocinar um processo contra mim junto da Justiça portuguesa.

Ora, passados uns meses sobre o meu escrito, são agora conhecidos alguns factos indesmentíveis que reforçam a tese da coincidência.

Decidi trazê-los a público, embora nos limites estritos de uma publicação profissional, por estar convencido de que Rafael Marques ignorava-os na ocasião em que aceitou o contrato da Forbes e que gostará de ficar informado acerca deles.

Em primeiro lugar recordo que este episódio teve origem na escolha pela revista norte-americana de um activista político ligado, pelo menos no passado, ao designado “Soros Media Empire” como fonte única e co-autor de um artigo sobre a empresária angolana Isabel dos Santos.

É sabido que Rafael Marques trabalhou, pelo menos durante 7 anos, como delegado em Angola da Fundação Open Society, uma das muitas financiadas por Soros. É igualmente conhecido que a acção movida contra Angola por Rafael Marques perante o Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas, na Suíça, foi patrocinada pela mesma Fundação.

Agora, o que revelações recentes permitem acrescentar é a coincidência temporal da encomenda da Forbes com um negócio em que se antagonizam os interesses de Isabel dos Santos e de George Soros.

Nos fundamentos invocados pelos sócios angolanos da Unitel, entre os quais a própria empresa pública Sonangol, para reivindicarem o exercício do direito de compra da participação na telefónica de uma sociedade chamada PTI, escreve-se: “Da interpelação na assembleia geral convocada para o efeito, resultou claro a quebra de confiança entre os accionistas, tendo, em consequência, a accionista PTI SGPS SA, em carta dirigida às restantes accionistas em Julho de 2013, oferecido as suas acções para venda”.

Portanto, a fazer fé no atrás citado, quis o senhor do acaso que governa as nossas vidas que, no Verão passado, quando Rafael Marques andava a escrever o artigo para a Forbes, uns accionistas da Unitel estivessem a procurar vender a outros accionistas da Unitel 25% das acções da companhia. Certamente ao melhor preço. Que é como quem diz entre 700 milhões e 900 milhões de euros.

É muito dinheiro mesmo para os milionários globais e com um intervalo de negociação muito significativo.

Sabe-se, mesmo sem as “investigações” que a Forbes faz pela leitura da Imprensa económica de Lisboa, que entre os compradores com direito de preferência se encontrava a visada por Rafael Marques. E, já agora, quem eram (são) os vendedores?

A nossa Imprensa, talvez por excesso de patriotismo, tem-se referido à participação da PTI como sendo da nossa PT. A preocupação pela precisão dos factos leva-me, no entanto, a sublinhar que a participação é da PTI SGPS SA, uma sociedade de facto participada pela nossa PT, mas igualmente detida por um fundo de investimentos nigeriano designado por Helios.

Ora, este é o pormenor fatal – fatal para a credibilidade de Rafael Marques (e da Forbes, mas a Forbes não me meteu nenhum processo…).

Dá-se o caso de a tal Helios ter como sócios mais conhecidos Madeleine Albright (sim, a chefa da diplomacia de Bill Clinton) e… George Soros. Mais: a associação destes nomes à Helios foi assinalada, nos meios financeiros, como uma aposta nas operações de telefonia móvel em África (que é a actividade da Unitel).

Confirma-se, portanto, que o especulador e filantropo George Soros – cujas organizações tanto apoiaram (reparem no cuidadoso pretérito) Rafael Marques – tinha interesses, certamente legítimos, que se opunham aos de Isabel dos Santos, a visada pela Forbes. Isto no preciso, exacto, pontual, específico momento em que Rafael Marques preparava o referido artigo. A encomenda da Forbes foi na mouche. Grande tiro.

Temos de presumir – e eu sou o primeiro a fazê-lo – que Rafael Marques é um idealista bem-intencionado e que os idealistas bem intencionados não fazem a mínima ideia do que se passa no mundo dos negócios. É por isso com a melhor das intenções que faço questão de publicar este artigo. Para que Rafael Marques fique a saber…

(*) – Consultor de Comunicação

About Patriota

Patriota, que aborda a política angolana, com isenção, imparcialidade e rigor analítico.

One response »

  1. Joshua Quiteculo diz:

    O “Ditos do Baú” assume que é um instrumento nas mãos do regime angolano. Por isso temos orgulho nos fretes que fazemos ao Governo o que, aliás, corresponde ao que diz o escolhido de Deus, o nosso querido Presidente José Eduardo dos Santos, que Angola é o MPLA e o MPLA é Angola. E é por isso que, agora e sempre, nós aqui no “Ditos do Baú” ajudamos a varrer do nosso país todos os que não veneram o nosso querido líder. Para esse feito usamos tudo quanto for necessário, até mesmo fuzilar quem não estiver de acordo.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s