Nelson Mandela e José Eduardo dos Santos

Nelson Mandela e José Eduardo dos Santos

Dia 22 de Fevereiro é a data consagrada à morte do líder rebelde do então grupo belicista da UNITA, hoje um partido movido pelo compromisso do jogo democrático.

Documentos em posse dos Serviços de Informação, altamente sensíveis, a que tivemos acesso, mostram o desenrolar de um episódio que poderia colocar o mundo contra Angola e talvez o presidente José Eduardo dos Santos e o MPLA não seriam os líderes dos destinos da pátria.

Jonas Savimbi, depois dos Acordos de Nova York e com a resolução 435/78 que permitia a independência da Namíbia, a saída dos cubanos e demais instruções, sentindo-se excluído – pois, a UNITA não teve um papel de destaque nas negociações que colocaram fim ao conflito do Cuito Cuanavale – sempre acreditou que o apartheid poderia continuar sendo uma via para dominar a África Austral. Depois da libertação de Nelson Mandela e sua vinda a Angola a oportunidade de tirar o presidente Eduardo dos Santos do poder, tinha finalmente chegado.

Jonas Savimbi através de acertos com a alta estrutura do apartheid definira todo o plano na Jamba. De 20 a 24 de Junho de 1985, personagens como o presidente da África do Sul Pieter Botha, o ministro dos negócios estrangeiros, Pick Botha, e os restantes ministros mais importantes do governo segregacionista, estiveram reunidos em Angola-Jamba e até à data nunca ninguém tinha percebido a razão de tal encontro. Esse acontecimento é também relatado no livro de Jardo Muekália, antigo representante da UNITA em Washington, na sua obra “Angola – A Segunda Revolução”. Nesse encontro destacou-se o agente dos serviços de informação do governo de Angola identificado por “Raposa”, suas informações eram entregues com o código “ITS – Informação em Terreno Hostil” Pieter Botha era retratado como ”o mindele” e Jonas Savimbi como “o irmão”.

Raposa, nas suas confidências, dizia que, a intenção de Pieter Botha era que Nelson Mandela envelhecesse na cadeia – assim é que Cavaco Silva, actual presidente português vota contra a libertação de Nelson Mandela em plena ONU, em 1987, os EUA de Ronald Reagan fizeram o mesmo. Recordamos que um ano antes dessa votação, 1986, Ronald Reagan recebeu Jonas Savimbi na Casa Branca, e considerou-o “combatente pela liberdade”, na verdade era a protecção que Jonas Savimbi precisava e tinha exigido, aquando da visita dos líderes do apartheid um ano antes, 1985, caso pusesse em prática a segunda opção, ou plano B, que lhe tinha sido confiado.

Libertá-lo e assassiná-lo de seguida.

Com o insucesso que foi a ONU e as pressões da Comunidade Internacional, o plano B, tinha que ser posto em prática: libertá-lo e assassiná-lo de seguida. O papel da UNITA seria de engendrar o assassinato caso ele viesse a Angola e imputar as culpas ao Governo de Angola, uma ideia que seria aceite por Washinton que moveria recursos junto da ONU para derrubar José Eduardo dos Santos, assim, o apartheid ver-se-ia livre de Mandela e a UNITA ver-se-ia livre do MPLA e de JES obtendo caminho livre para governar Angola, tendo como patrões os EUA e a África do Sul.

Sorte ou destino

Passados alguns anos, esses avisos do “agente raposa” foram esquecidos pelos serviços de informação, ou pelo menos ninguém se lembrou dessas informações preciosas, que poderiam pôr fim à vida de Mandela.

A vida do malogrado general da UNITA Altino Sapalalo Bock, cruzaria os destinos da pátria angolana e de Nelson Mandela. O general através de um telegrama, informou aos seus contactos junto dos serviços sobre o plano que estava em curso, identificando os conspiradores. Pessoas no poder afirmam que os generais das FAA nunca estiveram tão preocupados em toda história da Guerra Civil angolana, como estiveram naquele momento. A intentona foi impedida, mas Jonas Savimbi tinha seus trunfos: generais infiltrados no governo do MPLA. Alguns desses agentes dúplos, tiveram acesso à forma como se deu o vazamento da tentativa de assassinato de Madiba e informaram ao velho Jonas.

A partir daquele momento, o general Altino Bock, esperava apenas o dia da sua morte e chegou mesmo pela mão de Jonas Savimbi. Era uma madrugada fria e inofensiva, era esse o dia do seu fim heróico, dia 25 de Abril de 2001, na localidade de Tchanjo, a sul de Malange, sua vida foi tirada à catanada precedida de uma tentativa de homicídio por enforcamento.

Um ano depois, 2002, a família do general realizou suas exéquias fúnebres em sua homenagem, na cidade de Luanda. Essa é uma história, que prova que no nosso solo pátrio jazem enormes heróis anónimos, guardiões da pátria de todas as cores partidárias.

Naquela altura, o corredor de segurança de Madiba e do presidente angolano foi reforçado. Conta-se que foi duplicado o número de agentes que asseguravam a visita de Nelson Mandela à Luanda. Nada foi explicado ao líder do ANC. Através de uma orientação superior a informação foi considerada “Top Secret”. O poder em Angola temia que outros chefes de Estados temessem visitar Angola, caso tomassem conhecimento da intentona, ou que a informação fosse usada pela propaganda da UNITA para implantar um sentimento de insegurança aos aliados de Angola.

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Patriota, que aborda a política angolana, com isenção, imparcialidade e rigor analítico.

One response »

  1. Joshua Quiteculo diz:

    O “Ditos do Baú” assume que é um instrumento nas mãos do regime angolano. Por isso temos orgulho nos fretes que fazemos ao Governo o que, aliás, corresponde ao que diz o escolhido de Deus, o nosso querido Presidente José Eduardo dos Santos, que Angola é o MPLA e o MPLA é Angola. E é por isso que, agora e sempre, nós aqui no “Ditos do Baú” ajudamos a varrer do nosso país todos os que não veneram o nosso querido líder. Para esse feito usamos tudo quanto for necessário, até mesmo fuzilar quem não estiver de acordo.

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