Por: Janota Pedro

Isaac dos Anjos - Governador da Província de Benguela -

Isaac dos Anjos
– Governador da Província de Benguela –

Numa visita efectuada ao Lobito, esse fim-de-semana, com meus três filhos e minha irmã, convista a fazer turismo, e por acaso, minha primeira visita àquela província, deparei-me com situações que me deixaram preocupado e talvez mais do que isso.

Senti saudades de Luanda. Pois, aqui posso gritar, posso estar em todos os locais sem restrições algumas, meu carro pode entrar em qualquer supermercado e praia. Falo do meu Hiace Azul e Branco, com o qual batalho todos os dias, para não ser mendigo e não complicar a já difícil tarefa do Estado de garantir o sustento a milhões de irmãos angolanos. Dito isso, Benguela fez-me sentir saudades de Luanda, ao deparar-me com dirigentes tão ignorantes, quanto apologistas de uma política clara de exclusão.

Na minha ânsia de visitar as mais lindas praias de Lobito, fui interditado de entrar numa maravilhosa praia, toda azulada, uma coloração que as “ninfáticas” algas ofereciam. A justificação foi simples: “não podem estar nesse recinto taxistas, nem hiaces azuis e brancos”. Olhei enraivecido ao estilo luandense, ávido de ter de volta meus direitos, mas a Polícia lá chegou e tive que me retirar, lá ao fundo, vi uma multidão de brancos…pensei comigo, se os negros não poderiam lá estar, ou os pobres eram daí excluídos: talvez simples pensamentos de raiva.

Decidi então, fazer algumas compras, visitei dois supermercados, aí o taxista já poderia entrar, mas o carro azul e branco não poderia entrar. Decidi desabafar-me com populares que também se mostraram descontentes com essa situação. O único consolo que tive foi de camaradas meus, que num dos CAP´s abordamos de forma descontraída a situação política do país e seus possíveis rumos.

Em conversas com polícias, todos disseram que “são ordens dos dirigentes, parece que altos dirigentes da província sabem disso. É a Lei.” Fui obrigado a indagar: “Lei? Os governantes ou os dirigentes que excluem essa parte do povo de Lobito e já agora do povo angolano, que faz turismo, sabem o que significa a Constituição da República de Angola?”. Na discussão, houve a intenção de me prenderem, mas a minha boca de kaluanda, safou-me. Ainda assim, deu para deixar-lhes o mandato constitucional constante no artigo 23.º da CRA, sobre o princípio da igualdade, segundo o qual:

“1. Todos são iguais perante a Constituição e a lei.

2. Ninguém pode ser prejudicado, privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ascendência, sexo, raça, etnia, cor, deficiência, língua, local de nascimento, religião, convicções políticas, ideológicas ou filosóficas, grau de instrução, condição económica ou social ou profissão.”

Essa exclusão afectou-me, é hora de dizer basta. Essa é mais uma tarefa para Sua Excelência senhor Governador rever, pois, é algo que já encontrou implantado. Ou precisarão de caluandas radicais aí em Benguela para porem termo nisso?

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Patriota, que aborda a política angolana, com isenção, imparcialidade e rigor analítico.

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