Por: Félix Miranda

HUmaO sofrimento amargo de um povo, provocado por um megalómano e que nos fez “parir” três décadas de guerra fratricida, transformou-se, por ironia, numa “arquitectura da paz”. Chamem-lhe prosperidade, sonhos, desenvolvimento, progresso, ou até mesmo Nova Angola, mas irão perceber que esses adjectivos que ostentamos enquanto nação, existem apenas depois da morte de Jonas Savimbi, e do presidente Eduardo dos Santos ter amnistiado via poder legislativo, todos os dirigentes da UNITA, que em 2001, depois dos atentados do Zenza do Itombe foram considerados pelo Conselho de Segurança da ONU, Grupo Terrorista.

Para alguns, a “Arquitectura da Paz” começa em 2002, pois eu digo que não. O nascimento do nosso Estado Independente já marchava nessa direcção e legou ao mundo sonhos e paz, cito como exemplo, os Acordos de Nova York, que garantiram à Namíbia a sua independência do regime segregacionista da África do Sul. Esse regime por incrível que pareça teve o apoio dos nossos compatriotas da UNITA, e chegaram mesmo a fazer uma viagem de alto nível ao Quartel-General da Jamba, ou seja, por via de Jonas Savimbi, os racistas pisaram o nosso solo pátrio, o nosso solo solidário. Hoje, convenhamos, nenhuma razão poderá explicar a aliança entre a UNITA e o Apartheid, que poderia ter trazido efeitos nefastos a região Austral, caso eles conseguissem derrubar o jovem presidente Eduardo dos Santos, naquela época sem muita experiência.

As três décadas que marcaram o conflito armado angolano, por inconformismo da UNITA e da FNLA, associado ao facto de Jonas Savimbi não ter a capacidade de enterrar o passado – e têm essa capacidade os actuais líderes da UNITA? – motivou a desunião, a desagregação das famílias, separações que talvez o destino nunca venha a reparar. E assim começou a maior missão que um patriota dos nossos tempos alguma vez enfrentou: unir o país, perdoar os rebeldes, construir e reconstruir tudo, empregar, desenvolver, crescer, industrializar para diversificar, por fim construir uma arquitectura da paz.

A arquitectura da paz simbolizou o esquecimento do passado

Esquecer o facto da UNITA não ter aceite os resultados das primeiras eleições multipartidárias de Angola e optado pela guerra, mesmo depois de ter sido oferecida a vice-presidência ao seu líder. Esquecer quem minou o país, quem mutilou os nossos compatriotas, quem destruiu as pontes, quem destruiu os aeroportos. Esquecer para avançar.

A paz é também um processo político, JES e o MPLA venceram todas as eleições em que fizeram parte, e o mundo viu pela primeira vez a UNITA a aceitar os resultados das segundas eleições legislativas da história de Angola num clima inédito de paz.

Afinal, não se poderia governar em guerra, não se poderia cultivar em campos minados, e muito menos erguer pontes sem a consolidação da paz. As novas centralidades, são exemplo disso mesmo, hoje quase 90% do território angolano ou capitais de província são percorridas por estradas asfaltadas. Os aeroportos renasceram e os caminhos-de-ferros movimentam os humildes angolanos, muitos deles que já tinham enterrado a esperança.

Agora, resta-nos caminhar para a arquitectura do futuro. O caminho ainda é longe, mas estamos a dar os passos certos, com um povo trabalhador e governantes que fazem o melhor por Angola, na altura certa, em paz e estabilidade, rumo a um futuro melhor.

O legado do presidente José Eduardo dos Santos, impõe que aqueles que no passado foram os mentores da derrocada da pátria, sejam agora os senhores da paz e do progresso, é a única forma e a mais bela de se conceder tributo à pátria e por via dessa serem redimidos.

O maior legado do presidente Eduardo dos Santos, é sem sombra de dúvidas a paz, a “arquitectura da paz”, que se ramificou em liberdades, livre circulação de pessoas e bens, progresso e um futuro grandioso que a todos pertence.

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Patriota, que aborda a política angolana, com isenção, imparcialidade e rigor analítico.

2 responses »

  1. Joshua Quiteculo diz:

    O “Ditos do Baú” assume que é um instrumento nas mãos do regime angolano. Por isso temos orgulho nos fretes que fazemos ao Governo o que, aliás, corresponde ao que diz o escolhido de Deus, o nosso querido Presidente José Eduardo dos Santos, que Angola é o MPLA e o MPLA é Angola. E é por isso que, agora e sempre, nós aqui no “Ditos do Baú” ajudamos a varrer do nosso país todos os que não veneram o nosso querido líder. Para esse feito usamos tudo quanto for necessário, até mesmo fuzilar quem não estiver de acordo.

  2. Chipéu diz:

    Bom texto…

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