Fonte: Ditos do Baú

EFRSe todo homem tem um preço (?) e um partido político, quanto deve custar aos bolsos de quem se interesse por espectros democráticos, digo, projectos efémeros, do tipo PRS? Diriam alguns, que quando a ganância dos líderes emerge sobre o espectro do realismo político, pode custar tanto, quanto nada.

Se a oposição for comparada a uma orquestra, então o PRS, seria um falsete, um violino que no descompasso, faz transparecer mestria e se diz partícipe da harmonia musical.

A história curta que se segue mostra um partido pouco sério e menos comprometido com o povo que nele votou. Para alguns parecerá óbvio o facto de o MPLA não estar a “comprar” a oposição, mas esta sim estar a “vende-se”.

Em 2004, pouco depois da assinatura do Memorando de Entendimento de Luena de 2002, o presidente Eduardo kuangana, escreveu uma carta ao então secretário para informação do MPLA, solicitando uma parceria com cerca de 8 pontos, onde se destacavam questões como:

– Parceria contra a UNITA nas Lundas e apoio ao MPLA contra as demais forças políticas da oposição no resto do território angolano.

– Receber do MPLA um apoio financeiro de cerca de 49 milhões de dólares, para apoiar actividades de apoio à paz iniciativas governamentais.

O que fica subjacente é o grande pendor regionalista do PRS, e sua renitência em ver o país apenas no sentido “Lundas”, associado ao facto que o dinheiro seriam para os cofres de Kwangana, pois, muitos dos seus dirigentes nada sabiam sobre esse pedido de pacto.

A missiva foi entregue como ofício PRS_079/GPP/2004, datado de 20 de Abril. A linha conservadora do MPLA achou não ser necessário tal acordo, dentre eles, Kwata Kanawa e Roberto de Almeida, essas ideias fizeram surgir o seguinte parecer, escrito no canto superior direito do mesmo ofício: “Não é estratégica nem para nós nem para o país a proposta do PRS, numa fase em que todas as nossas atenções devem virar-se para a paz e o diálogo permanente com a UNITA”.

Numa democracia, com escassez de convicções sólidas e os factores de produção de poder, que se adequem à lei da procura e da oferta, nesse controverso mercado político-ideológico, a mão-de-obra é a democracia e o produto é o próprio homem.

Na verdade o PRS, demonstra que o capital está acima do homem (do angolano por quem se dizem lutar) e da terra (enquanto pátria que precisa de homens honrados). Se 40 milhões for o preço do PRS, qual será o da CASA-CE, da UNITA e tantos outros?

Tentamos contactar os dirigentes desse partido, mas ao invés de apresentarem sua versão, apenas chamaram-nos de “SINFO” e nada mais. Se o jornalismo investigativo constituir um serviço de inteligência, então pelo menos o Ditos do Baú, confessa que não sabia sobre a evolução promíscua que assolou tal conceito.

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Patriota, que aborda a política angolana, com isenção, imparcialidade e rigor analítico.

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