Por: Carlos Janota

ImagemComeçar a abordar um caso tão difícil, devido ao seu pendor especulativo e político, não é fácil, nem se espera, consensual. Afinal, o “enigma” está instalado, todos pensarão terem descoberto a verdade, essa que já apresenta várias formas, e baila diante dos nossos olhos, numa melopeia que não era suposto ser caótica.

A versão que nos foi trazida a público, foi que Alves Kamulingue, de 30 anos, foi raptado a 27 de Maio de 2012, na baixa de Luanda, quando se dirigia a uma manifestação de antigos membros da Unidade de Guarda Presidencial e antigos combatentes, que reclamavam o pagamento de pensões em atraso. Dois dias depois, Isaías Cassule, também foi raptado, ao anoitecer, no município do Cazenga.

E a dúvida se instalou. Questões como, “que interesse teriam as forças de segurança, em aniquilar pessoas desconhecidas que nenhum impacto criavam ao Movimento contestatário?”, “e se outros interesses conspiraram para criar esse facto?”, eclodiram e tudo virou especulação. Quem melhor acusasse, teria uma dose de verdade razoável.

Quando analisei os dossier´s, desde notícias, investigações em curso, e demais questões de bastidores, pude perceber, duas coisas interessantes:

– Os dois jovens antes de terem desaparecido já se tinham reunido cerca de quatro vezes, com dirigentes da oposição política, cujos nomes não citarei, para não criar danos à imagem dos mesmos, até que se prove uma real ligação.

– Essas reuniões, normalmente aconteciam e eram mediadas por Alberto dos Santos, preso recentemente, pela DNIC, por alegadamente possuir informações que sejam importantes para esclarecer o caso.

Pasmem-se, então, com o facto de Alberto dos Santos, ter efectuado por duas vezes, uma viagem às zonas fronteiriças entre Angola e Zâmbia e outra na fronteira entre Angola e RDC, com jornais privados, dinheiro, e alguma documentação não comprovado, sendo que faziam parte da “encomenda” medicamentos e mosquiteiros impregnados com insecticidas. Nos últimos interrogatórios, pôde ser apurado que não existe nenhum familiar de Alberto, nem foi feito qualquer tipo de negócio naquelas paragens fronteiriças.

Esses eventos se deram nos meses de Setembro (dia 25) e Dezembro (dia 9) do ano 2012, o que terá motivado as suspeitas contra Alberto dos Santos, que esteve sempre ao lado dos desaparecidos. Suspeita-se assim, que esse desaparecimento tenha sido engendrado para criar factos políticos e colocar o Executivo em maus lençóis, e que tais bens e dinheiro, eram direccionados para os supostos “desaparecidos”. Mas essa é apenas uma faceta do problema que ainda dará que falar.

As reuniões, nas quais participaram Alves Kamulingue e Cassule, cujo teor foge ao nosso conhecimento, eram feitas com dirigentes da UNITA, CASA-CE e PRS (não sabemos se isso é do conhecimento das lideranças desses partidos). No dia 20 de Junho de 2012, a  Associação de Apoio aos Combatentes das ex-Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (ASCOFA), denuncia, que “partidos políticos estão a incentivar as manifestações e a fazerem disso um aproveitamento político”. Na mesma senda os altos dirigentes das FAA, haviam decidido apresentar queixa contra os partidos políticos, por conduta anticonstitucional, ao terem incitado os militares à desordem, inclusive em pleno quartel.

Se a investigação nesse sentido, provasse, juntados os dados, que existiu alguma conspiração de dirigentes partidários da oposição? Esse seria um caminho perigoso de se percorrer, porquanto uma certa instabilidade política poderia ser instalada, mas, a Justiça, no final deverá imperar.

Conferindo todos os dados à nossa disposição, estamos em crer, que o Alves Kamulingue e Cassule, podem estar algures na fronteira de Angola com a Zâmbia, ou já a terão atravessado, levando uma vida normal num país vizinho. O facto coloca um outro dilema aos dois, caso estejam em vida. Podem responder criminalmente, ou ser eliminados por quem os contratou.

É assim a vida

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Patriota, que aborda a política angolana, com isenção, imparcialidade e rigor analítico.

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